Ações sobre desinformação e propaganda digital quase triplicam nas eleições de 2026

A Justiça Eleitoral registrou 9.571 processos relacionados a desinformação e propaganda digital irregular nas eleições de 2026 até 1º de outubro. Em 2022, foram cerca de 3.400 ações desse tipo, o que representa um aumento de 181,5%, segundo levantamento do Núcleo em parceria com a Agência Pública, com base em dados abertos do TSE.

Com isso, a fatia desses processos no total de ações eleitorais passou de 4,1% para 11,4%. O próprio levantamento ressalva que os indicadores das duas eleições não são diretamente comparáveis.

Por outro lado, as denúncias enviadas ao TSE sobre ataques à integridade do voto, como boatos envolvendo urnas, caíram 86%: foram 2.606 entre 1º de agosto e a véspera do primeiro turno, contra 18.487 no mesmo período de 2022, de acordo com dados apresentados pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques.

O uso de inteligência artificial também chamou atenção. O projeto VigIA, da agência Lupa com pesquisadores da Unicamp, identificou 920 publicações feitas com IA entre 16 de agosto e 28 de setembro. Dessas, 554 (60%) eram deepfakes, e cerca de seis em cada dez não informavam o uso da tecnologia. Vinte e nove partiram de perfis oficiais de candidatos ou partidos. As regras do TSE proíbem deepfakes na propaganda e exigem que o uso de IA seja sinalizado.

Entre os boatos que circularam após o primeiro turno está o de que Flávio Bolsonaro (PL) teria vencido com 54,98% dos votos válidos, número resultante de um cálculo incorreto. Pelos dados oficiais, Flávio teve 47,03% e Lula (PT), 45,16%, e os dois disputam o segundo turno.

Fonte: Diário do Grande ABC

Urna eletrônica brasileira, modelo UE2020 (imagem ilustrativa). Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE (domínio público), via Wikimedia Commons.