A fumaça que encobre Manaus nos últimos dias deve vir, em sua maior parte, de queimadas no próprio Amazonas, e não de outros estados. A avaliação é do meteorologista e pesquisador Leonardo Alves Vergasta, em reportagem publicada nesta terça-feira (13) pelo Amazonas Atual.
Segundo ele, cartas de vento da Aeronáutica dos dias 8 e 12 de outubro mostram correntes vindas de leste-nordeste, a cerca de 1,5 km de altitude, com velocidade estimada entre 30 e 35 km/h. Essa direção traz para a capital a fumaça de municípios situados a leste e sudeste, como Careiro da Várzea, Autazes e Itacoatiara. O pesquisador ressalta que a hipótese ainda depende de análises mais completas da trajetória das massas de ar nos dias de pico.
A explicação diverge da fala do governador Roberto Cidade, que no sábado (10) atribuiu parte da fumaça a incêndios em estados vizinhos, como o Pará.
Números citados na reportagem:
- Entre 10 e 12 de outubro, Autazes teve 1.700 focos de incêndio, o maior número do estado; Itacoatiara teve 882 (Inpe).
- Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas somou 1.380 focos, contra 372 no mesmo período de 2025, alta de 271% (Censipam).
- Estações a leste de Manaus registraram concentrações de poluentes acima de 80 µg/m³, com pontos acima de 170 µg/m³.
Vergasta também explica por que o ar costuma piorar de madrugada e no início da manhã: à noite o solo esfria, o ar perto da superfície fica mais estável e a fumaça se acumula próximo ao chão. Durante o dia, o aquecimento favorece a dispersão. A estiagem de agosto e setembro, com chuvas abaixo da média, e a influência do El Niño deixam a vegetação mais seca e inflamável. Para o pesquisador, porém, a floresta não pega fogo sozinha, e é preciso investigar quem inicia os incêndios.
Fonte: Amazonas Atual
Imagem de satélite da NASA mostra fumaça de queimadas perto de Manaus em 11 de outubro de 2023 (imagem ilustrativa). Foto: NASA Earth Observatory/Lauren Dauphin (domínio público), via Wikimedia Commons.